O SASA é um encontro. Uma cooperação. Uma mesa de comunhão. Um amálgama de histórias, vozes, de novos e outros caminhos. De possibilidades e conexões. É também pro vocação e afeto: uma travessia que nos pergunta como reinventar alianças a partir das ruínas e fertilidades do agora. SASA é, antes de tudo, escuta – escuta das águas, das lutas, dos territórios e de nós mesmos.
Um rio, disse Nego Bispo, conflui com muitas águas, em muitas direções, sem deixar de ser ele mesmo um rio. Nossos fluxos fluviais se encontram nas curvas generosas do Oceano Índico e Pacífico da Malásia, e seguem, vastos, rumo à opulência das águas do Atlântico brasileiro. São águas que carregam memórias profundas, encontros ancestrais, saudades que ainda sangram, e promessas que brotam entre as rachaduras do tempo. SASA é esse rio em movimento: feito de confluências, mas com corpo próprio. Ele costura margens, aproxima geografias, entrelaça vidas. E, assim, propõe um caminho de retorno a uma humanidade possível – uma humanidade que se comove diante da beleza da vida e se compromete com os saberes que verdadeiramente importam.
O SASA reuniu e reúne ideias sobre o que é ter uma vida simples, maravilhosa – não no sentido do consumo ou do idealismo, mas na ética do comum, na poética da partilha. Uma vida que se faz junto, que acolhe as vozes incômodas, que escuta as ausências e reconhece os silenciamentos. SASA é também espaço de denúncia: das violências coloniais, da escravidão e dos exílios, das cicatrizes que ainda marcam corpos e territórios. Mas é, sobretudo, espaço de afirmação: de saberes insurgentes, de vozes que insistem, de comunidades que curam.
“SASA” é apelido de um nome maior: South America and Southeast Asia. É projeto, mas também é processo. Reuniu gente diversa – de diferentes partes do mundo, saberes, culturas e línguas – trabalhando no Brasil, Malásia e Reino Unido. Foi financiado pelo Arts and Hu manities Research Council (AHRC), uma agência estatal britânica dedicada ao fomento de pesquisas em artes e humanidades. Mas mais do que financiamento, SASA foi aposta: uma aposta na potência do encontro, na inteligência coletiva e na possibilidade real de redesenhar formas de parceria que não repliquem hierarquias coloniais ou dinâmicas extrativistas.
A equipe brasileira era plural em sua formação e em suas trajetórias: oriunda do direito, das artes, ciências sociais em saúde, da militância ambiental e cultural. Levávamos conosco histórias, afetos e compromissos com os territórios que atuamos, pesquisamos e vivemos. Durante a produção do workshop desenvolvemos metodologias próprias, criamos dispo sitivos sensíveis de escuta, propusemos diálogos que fugissem dos formatos engessados. A pesquisa – com abordagem mista e desenho ético cuidadosamente aprovado – foi instrumento e linguagem: meio para a escuta e para produção de evidências científicas robustas.
Convidamos representantes da sociedade civil, lideranças comunitárias, organizações culturais, coletivos periféricos, artistas de diversas linguagens, agentes públicos e privados, pesquisadores e representantes de agências financiadoras. As convocações foram feitas por diferentes meios, buscando alcançar uma diversidade real. Foi um mapeamento afetivo e político das vozes que hoje, no Brasil, pensam e fazem as artes e as humanidades de forma transformadora.
Raiça Bomfim
Douglas Pinheiro
Tainá Azevedo
Leandro Silva dos Santos
Natália Valério
Ana Redig
Felipe Rocha
Felipe Meireles
Lucas Lopes
Iago Masciel
Rodrigo Ramos